O que são células estaminais?
As células estaminais são células que:
São indiferenciadas e possuem capacidade de se dividir indefinidamente
Podem diferenciar-se dando origem a diversos tipos de linhagens celulares
Possuem o potencial de se tornarem células maturas com características e funções especializadas, como por exemplo, células nervosas, células cardíacas, células da pele, do sangue, do osso e da cartilagem
A célula estaminal totipotente
O tipo de célula estaminal com maior potencial de diferenciação é o ovo fertilizado ou zigoto que dá origem aos tecidos que constituem o embrião e aos tecidos essenciais no desenvolvimento embrionário, como o cordão umbilical e a placenta. Devido a esta característica de diferenciação em qualquer tipo de tecido, é designada por célula totipotente, pois é a partir dela que se formam todos os outros tipos de células que compõem um ser humano adulto.
Células estaminais embrionárias vs células estaminais adultas
De uma forma simples, e de acordo com a sua origem, podem dividir-se as células estaminais em dois grandes grupos: células estaminais embrionárias e células estaminais adultas.
As células estaminais embrionárias existem numa fase inicial do desenvolvimento embrionário, o blastocisto (3 a 5 dias após a fertilização do ovo), anterior à sua implantação na parede do útero. Estas células são pluripotentes, ou seja, podem diferenciar-se em células derivadas das diferentes camadas embrionárias (mesoderme, endoderme e ectoderme). Cada uma destas camadas dá origem a diferentes tipos de tecidos especializados.
As células estaminais adultas são células não diferenciadas que se encontram em tecidos diferenciados e especializados. Estas células têm a capacidade de se auto-renovar durante toda a vida do organismo.
Esta capacidade permite a ocorrência de processos de regeneração dos tecidos do nosso organismo, onde se encontram presentes. A medula óssea, a retina, a córnea, a polpa gengival, a pele, o fígado, o tracto gastrointestinal e o pâncreas constituem fontes de células estaminais adultas.
Células estaminais do cordão umbilical
As células do cordão umbilical são células estaminais adultas com o potencial de se diferenciarem em células da linhagem hematopoiética e da linhagem mesenquimal.
As células estaminais hematopoiéticas são células com capacidade de se diferenciar em células de linhagem sanguínea (glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas).
As células estaminais mesenquimais são uma população de células variada, precursora de células de osso, cartilagem, gordura e tecido fibroso conjuntivo.
O enorme potencial das células estaminais se diferenciarem em distintos tipos de células que constituem os tecidos de um organismo, confere-lhes uma elevada capacidade em termos de aplicações terapêuticas a nível da Biotecnologia Clínica.
Células estaminais mesenquimais
A primeira referência sobre o isolamento de células estaminais mesenquimais (CEM) foi publicada em 1997. Desde essa altura o conhecimento sobre este tipo de células evoluiu bastante e actualmente já é possível caracterizá-las com relativa facilidade. As CEM são células indiferenciadas, com capacidade de auto-renovação e uma capacidade proliferativa, ou seja, de multiplicação, muito elevada. Possuem uma característica muito importante de suporte do crescimento e da expansão das células estaminais hematopoiéticas (as isoladas a partir do sangue do cordão umbilical), promovendo igualmente o seu enxerto quando aplicadas em conjunto. Podem diferenciar-se em condrócitos (células da cartilagem), osteócitos (células de osso, tendão ou ligamentos), adipócitos (células de gordura) e miócitos (células de músculo).
As células estaminais mesenquimais podem ser isoladas essencialmente a partir de 3 fontes: sangue do cordão umbilical (SCU), matriz do cordão umbilical (MCU) e a partir da medula óssea (MO).
O sangue do cordão umbilical, rico em células estaminais hematopoiéticas (que se diferenciam maioritariamente em células do sistema sanguíneo) possui também células estaminais mesenquimais, mas em quantidades muito reduzidas. O seu isolamento, a partir do sangue do cordão umbilical, é controverso não se conseguindo CEM em grande parte das amostras de sangue de cordão umbilical.
Também na medula óssea e no cordão umbilical, para além das células estaminais hematopoiéticas, existem células estaminais mesenquimais. É possível isolar um número muito superior de células comparativamente ao SCU.
Na medula óssea o processo de obtenção das células é doloroso, implicando sempre a aplicação de anestesia geral, e tem um rendimento muito baixo.
Em oposição, o isolamento a partir do tecido do cordão umbilical tem um rendimento de 100%. Ou seja, é possível o seu isolamento a partir de todas as amostras. É um processo não-invasivo tal como o do sangue do cordão umbilical.
O isolamento pode ser efectuado a partir da matriz ou estroma do cordão umbilical (Wharton´s Jelly) e do subendotélio da veia do cordão umbilical.
Em laboratório estas células podem ser identificadas através da sua morfologia (fibroblastos que crescem aderentes a uma superfície) e de marcadores característicos presentes na sua membrana.
Para além das características enunciadas, as CEM isoladas a partir do cordão umbilical não possuem um complexo de histocompatibilidade major completo encontrando-se ausentes os genes do subgrupo II e um gene do subgrupo I (HLA-DR). Esta característica tem uma enorme importância quando se trata da compatibilidade entre o dador e o receptor. Mesmo não havendo uma compatibilidade entre o dador e o receptor, a probabilidade de ocorrência de doença do transplante contra o hospedeiro (ou seja, a rejeição por parte do receptor do transplante) é praticamente nula.
Foi, de facto, observado que a primeira injecção de células estaminais mesenquimais não produz qualquer resposta imunológica (não houve a produção de anticorpos). Só após repetição de injecções se verifica, em alguns casos, uma resposta imunológica com estas células não havendo, no entanto, rejeição do transplante.
DIFERENÇAS ESSENCIAIS ENTRE AS CEM DA MEDULA ÓSSEA, DO SCU E DA MATRIZ DO CORDÃO UMBILICAL:
Existe uma menor percentagem de CEM no SCU do que nas outras fontes
A maior percentagem de CEM encontra-se na matriz do cordão umbilical
As células do SCU e da matriz do cordão umbilical multiplicam-se mais rapidamente do que as da medula óssea, o que é indicativo de uma menor diferenciação das células
As CEM são isoladas em 100% das amostras da matriz cordão umbilical, enquanto que as que são isoladas a partir do sangue do cordão umbilical rondam os 63% das amostras
Para se conseguirem isolar CEM a partir do sangue do cordão umbilical a amostra não poderá ter mais de 5 horas após o parto
A recolha destas células a partir da medula óssea é um processo invasivo e doloroso.
Em conclusão, as células estaminais mesenquimais são células estaminais multipotentes que se encontram presentes em vários tecidos do corpo humano. O seu isolamento a partir do cordão umbilical, que seria descartado após o parto, é fácil, indolor e não acarreta custos de recolha ao contrário das células estaminais mesenquimais isoladas a partir da medula óssea ou do sangue periférico. Estas células podem ser armazenadas/criopreservadas ao mesmo tempo que o sangue do cordão umbilical, alargando o leque de aplicações terapêuticas. Está provado que, efectivamente, o seu isolamento a partir do cordão umbilical é bastante consistente, sendo sempre possível obter células que poderão ser multiplicadas.
in http://www.cytothera.pt/pt/Informa%C3%A7%C3%A3oCient%C3%ADfica/AsC%C3%A9lulasEstaminais.aspx
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