O Trabalho de Projecto é, fundamentalmente, um modus operandi uma estratégia que implica um método de acção participado, solidário, tendo em vista objectivos realizáveis e estabelecidos de comum acordo.
Procura-se, através dele, encontrar respostas para determinados problemas.
Investigar e propor soluções pressupõe a alteração de situações previamente identificadas, isto é, uma análise-diagnóstico do estado real das coisas, com o desejo/projecto de mudar qualitativamente pelo menos alguns aspectos do status quo, percorrendo várias etapas.
A metodologia de projecto assenta numa ordem lógica de procedimentos e operações que se interligam.
Daí decorre que os 'problemas' possam ser de vária ordem: cognitivos, efectivos, sociais, institucionais, etc.
A metodologia de projecto, enquanto método de planeamento é, a um tempo, uma forma de saber o que pretendemos, de mobilizar e identificar os recursos disponíveis e de circunscrever as fronteiras do campo de acção sobre o qual nos propomos actuar.
2. Como é ?...
Para que o projecto não se revele irrealista, desenquadrado e fortuito, há que conhecer e diagnosticar a realidade, identificando os problemas que existem: é a possibilidade de apreensão/compreensão dos problemas que torna o projecto viável e significativo.
A situação-problema terá de ser descrita, caracterizada, para que seja possível o seu desdobramento em problemas mais parcelares. Recorre-se, então, a variadas técnicas de investigação:
Documentais: análise de textos, recolha de informações, consulta de arquivos (textos, filmes, fotos,...)
Não-documentais: inquéritos por questionário, entrevistas, observação,...
3. Para quê ?...
Ora, para resolver os problemas encontrados (e posteriormente seleccionados), é preciso estabelecer objectivos/metas a atingir, ou seja, pensar no para quê?, o que permitirá manter, por um lado, o rumo-do-projecto, sem desvios significativos, eventualmente provocados pela disseminação de tarefas e actividades, e por outro, a focagem nos resultados.
3.1. Algumas considerações sobre formulação e selecção de objectivos.
Para uma correcta formulação e selecção de objectivos, tem todo o cabimento distinguir entre: finalidades ou metas e objectivos gerais e específicos.
É de todo aconselhável um projecto não se espartilhar em demasiadas finalidades (pois os seus promotores correm o risco de se perderem), escolhendo, por isso, uma só finalidade.
É necessário, então, escolher pontos intermédios de chegada: falamos da definição de objectivos gerais e específicos.
Os objectivos gerais indicam as grandes intenções de um projecto. Em regra, como também não são formuláveis em termos operacionais, carecem de datação e de localização precisas.
Os objectivos específicos devem permitir desmontar os objectivos gerais, pelo que terão que se formular em termos operativos, o que deixará avaliar da sua concretização. Por outro lado, serão susceptíveis de ser atingidos a curto prazo e o seu enunciado não dará lugar a ambiguidades de interpretação sendo, sempre que possível, quantificados. Os objectivos específicos têm como alcance o sector de actividade em relação aos quais são definidos.
4. Porquê?...
Um projecto implica, da parte dos intervenientes, motivação, coerência no caminho a percorrer, pelo que deve estar de acordo com os valores e princípios que regem a sua conduta na vida e na escola.
Assim sendo, há que perguntar: por que o faço? Apetece-me fazê-lo? Independentemente das dificuldades, dar-me-á satisfação? Antevejo o meu enriquecimento como aluno e pessoa?
Se, em grande parte, o projecto se instaura em função de necessidades e interesses da população-alvo, em boa parte deve ir ao encontro das nossas legítimas aspirações, sentidas por nós próprios.
5. Com quê e com quem?...
Que condições se reúnem para levar a cabo o projecto? Que recursos encontramos disponíveis? Trata-se aqui de clarificar os recursos e forças que poderão contribuir ou obstaculizar a resolução dos problemas.
Que colaboração poderemos obter? Dos professores? Dos colegas? Dos funcionários? Dos órgãos directivos? Das instituições exteriores? Urge, então, estabelecer contactos com quem queremos desenvolver o projecto, auscultando a sua opinião e procurando percepcionar o seu grau de motivação. Para isso, há que explicar com clareza e honestidade, tendo o sentido das limitações, o projecto que se pretende implantar, as estratégias a adoptar e qual a colaboração que deseja do seu interlocutor.
6. Como... fazer, saber, registar ?...
Como fazer: diz respeito às estratégias, isto é, às grandes orientações metodológicas de intervenção do projecto ( ligação entre recursos e objectivos ): faseamento, recursos, metodologias,...
Como saber: convém não esquecer a necessidade de prever momentos para reuniões e encontros para se fazer o ponto da situação, proporcionar e receber o feed-back, medir a distância, em cada fase, em relação aos objectivos propostos. A informação deve difundir-se de forma simples e clara, periodicamente, para que todos os intervenientes (directos ou indirectos) estejam permanentemente a par do desenvolvimento do processo.
Como registar: regista-se com o intuito de ficar com documentos sobre o evoluir do processo e da situação: o antes, o agora e o depois. Os registos fazem parte integrante de todo o trabalho de campo e dão aso a momentos de pausa e reflexão sobre o andamento das tarefas, dificuldades, descobertas, eventuais mudanças de orientação!
7. Como avaliar ?...
A avaliação deve estar prevista e integrada no projecto inicial. Os seus métodos serão estabelecidos de acordo com o tipo de avaliação e de indicadores disponíveis. É obrigatório avaliar, não só o produto, mas também o caminho percorrido (avaliação contínua), sublinhando os seus aspectos positivos e não esquecendo os negativos. A avaliação do produto final tem um carácter global (processo + produto) que poderá revestir-se de diferentes formas: questionários; diálogo aberto; fichas; relatórios.
A elaboração do relatório é um bom método para, de um modo claro, objectivo e sucinto, poder descrever a situação à partida, o processo, os reajustamentos pontuais e a situação à chegada.
http://aulaportugues.no.sapo.pt/trabalhoprojecto.htm

